É esse piscar de olhos rápido e singelo. É esse castanho olho-de-tigre num ferro tigre e essa transparência de sensações que se confundem ao olhar de outro como se olhando através de um hialino.
E esse teu gosto especial por tudo que tem cor de quartzo fumado, como se quisesse fugir do leitoso, cujo tom lembra tua alma. Confesso que às vezes teu modo me faz sentir um sagenítico, mas não me incomodo com o fato, pois esse é dos mais belos que há. Já a cor de carneliana (ou seria sárdio? a diferença é sutil) da tua cólera me machuca.
É claro que não passas de um citrino posto no lugar de um topázio, mas não ligo, pois até o róseo dos teus lábios me encanta, principalmente quando posto em contraste com o tom morion dos teus cabelos.
É pena que sejas irredutível e duro como sílex e tenhas tanto prazer em mostrar-me sinal de jaspe ao invés de prásio, manchando nossa história tal qual uma ágata muscínea, deixando-a áspera feito uma aventurina e comum como um cristal.
Ainda assim, fascina-me teu jeito doce e sutil, feito quartzo azul, que em nada lembra um olho-de-falcão, a não ser pelas manchas de terra no meio do oceano, que são segurança no fim de tudo.
Segurança pra saber o que queres, pra correr pelos teus sonhos, pra não voltar atrás.
Seguindo teu caminho sendo levado e polido pelas águas do rio.
Textos que me vem prontos à mente. Textos que falam sobre o vivi ou sobre o que vi sendo vivido. Textos feitos de pessoas, de imagens marcantes, de olhos com lágrimas, de sentimentos calados.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Carta de quem vai
Meu querido,
Estou voltando para minha casa, onde está minha família. Estou lhe enviando esta carta enquanto vou para o aeroporto e, quando você ler isso, eu provavelmente já estarei em Barcelona.
Só preciso lhe dizer que não importa o quanto você me magoou quando disse adeus ou quantas noites eu desperdicei pensando em você enquato as lágrimas desciam de meus olhos, eu amei você com todo meu coração e aqueles anos em que você foi meu melhor amigo estarão sempre na minha memória.
Eu odiei você depois daquilo, mas você você voltou e pediu desculpas, então eu lhe perdoei e agora não há mais mágoa no meu coração, então, por favor, não se preocupe.
Sei que você queria poder ter minha amizade de novo, e eu também, mas agora os tempos mudaram e isso não é mais escolha nossa. Mas querido, você pode contar comigo depois de tudo e isso nunca vai mudar de novo, pois eu sei que quando você me magoar, você voltará e dirá que sente muito.
Tenho que dizer, não quero ficar com você do jeito que eu queria antes porque não quero que você me machuque novamente, mas sempre verei você como um amigo.
Querido, espero que você entenda porque não disse para você que estou indo embora do país antes, mas eu sou medrosa e não posso olhar para você sem começar a chorar.
Com todo meu carinho
Virgínia Braga
Estou voltando para minha casa, onde está minha família. Estou lhe enviando esta carta enquanto vou para o aeroporto e, quando você ler isso, eu provavelmente já estarei em Barcelona.
Só preciso lhe dizer que não importa o quanto você me magoou quando disse adeus ou quantas noites eu desperdicei pensando em você enquato as lágrimas desciam de meus olhos, eu amei você com todo meu coração e aqueles anos em que você foi meu melhor amigo estarão sempre na minha memória.
Eu odiei você depois daquilo, mas você você voltou e pediu desculpas, então eu lhe perdoei e agora não há mais mágoa no meu coração, então, por favor, não se preocupe.
Sei que você queria poder ter minha amizade de novo, e eu também, mas agora os tempos mudaram e isso não é mais escolha nossa. Mas querido, você pode contar comigo depois de tudo e isso nunca vai mudar de novo, pois eu sei que quando você me magoar, você voltará e dirá que sente muito.
Tenho que dizer, não quero ficar com você do jeito que eu queria antes porque não quero que você me machuque novamente, mas sempre verei você como um amigo.
Querido, espero que você entenda porque não disse para você que estou indo embora do país antes, mas eu sou medrosa e não posso olhar para você sem começar a chorar.
Com todo meu carinho
Virgínia Braga
domingo, 26 de dezembro de 2010
Pensamentos
De novo aqui. Sozinha. Numa noite de céu escuro. Lembrando de todas as vezes que fiquei a ouvir-te dizendo o nome de cada estrela. E pensando. Pensando nas diferenças do céu de agora pro céu daqueles dias. Porque o céu muda com as estações do ano. A minha vida mudou com as estações. Só o que não mudou foi esse ódio sem sentido que nutro aqui dentro a partir d'um amor sem razão que nem mesmo sei de onde tiro.
Ódio. Pode-se dizer que é tudo que sinto agora. Porque ele tomou o lugar de tudo, da alegria de ver os amigos, da paz de ter uma casa com uma família, do sono que se sente ao deitar numa cama confortável, do apetite que se sente quando se está olhando para uma mesa farta e até da saudade de pensar no passado longínquo onde sentia-se tudo isso que falei.
Mas está tudo bem. Não, não está. Mas ficará. Pois agora já é o final de dezembro e um novo ano se aproxima junto com um novo estilo de vida marcado por mudança de lugares e pessoas. E nessa época de natal ninguém pensa nas inconstâncias da vida. Só eu. Mas não haverá com quem falar sobre, pois todos estarão pensando na confraternização e nos presentes, então, talvez, com sorte, alguém possa me distrair dos pensamentos de ti.
E quero deixar claro, esforçar-me-ei para que o façam, que já não aguento mais esses pensamentos me torturando sem fim nessa dor do que deixou de ser sem jamais ter sido. Porque essa relação só existiu na minha mente. No mundo real, tu só estavas curtindo o momento e eu me consolando de outro amor que não deu certo, nessa enorme roda viva que faço questão de criar pra ficar sempre girando entre todos os homens da minha vida e não ter que me sentir sozinha como agora, que tu provocaste uma pane no mecanismo da roda e eu fui forçada a admitir que realmente não há alguém ao meu lado.
Há quem diga que eu deveria ser grata a ti por expor-me a mim mesma, assim posso assumir o que sou, como sou e como estou e parar de viver numa mentira, mas eu não posso ser grata. Como disse, tudo que sinto é ódio. Mas isso também é compreensível, todos sabem que ninguém gosta de ver a verdade de sua própria vida e é um ato cruel forçar alguém a vê-la. Então meu ódio é justificável, aceitável. Então, não julgues, não tens direito. Ninguém tem.
Enfim, tudo vai se acertar, porque vou mudar não só minha vida nesse ano que vem vindo. Vou mudar meu modo de lembrar de ti. Vou esquecer a tua face, vou esquecer a tua voz, vou esquecer o teu talento. Vou parar de reconhecer teus gestos em mãos estranhas e tuas feições em rostos diferentes. Vou mudar a mim. Eu não mais existirei.
Aí, quem sabe, de repente, já se possa dizer que não existe mais esse "eu" que tanto te venera, que tanto pensa em ti e que tanto sente a tua falta. Aí, eu poderei dizer que sou uma nova mulher, com novos gostos e que superou a droga da música clássica que tu tocas tão bem no teu violão chinfrim e esqueceu a maldita calma que tu exalas por todos os poros do teu corpo e que não mais sente necessidade tamanha de ser próxima de ti que para dar vazão a essa até utiliza o português de modo incomum e aceita a regra que diz que a segunda pessoa do singular é para tratamento pessoal, íntimo.
Ódio. Pode-se dizer que é tudo que sinto agora. Porque ele tomou o lugar de tudo, da alegria de ver os amigos, da paz de ter uma casa com uma família, do sono que se sente ao deitar numa cama confortável, do apetite que se sente quando se está olhando para uma mesa farta e até da saudade de pensar no passado longínquo onde sentia-se tudo isso que falei.
Mas está tudo bem. Não, não está. Mas ficará. Pois agora já é o final de dezembro e um novo ano se aproxima junto com um novo estilo de vida marcado por mudança de lugares e pessoas. E nessa época de natal ninguém pensa nas inconstâncias da vida. Só eu. Mas não haverá com quem falar sobre, pois todos estarão pensando na confraternização e nos presentes, então, talvez, com sorte, alguém possa me distrair dos pensamentos de ti.
E quero deixar claro, esforçar-me-ei para que o façam, que já não aguento mais esses pensamentos me torturando sem fim nessa dor do que deixou de ser sem jamais ter sido. Porque essa relação só existiu na minha mente. No mundo real, tu só estavas curtindo o momento e eu me consolando de outro amor que não deu certo, nessa enorme roda viva que faço questão de criar pra ficar sempre girando entre todos os homens da minha vida e não ter que me sentir sozinha como agora, que tu provocaste uma pane no mecanismo da roda e eu fui forçada a admitir que realmente não há alguém ao meu lado.
Há quem diga que eu deveria ser grata a ti por expor-me a mim mesma, assim posso assumir o que sou, como sou e como estou e parar de viver numa mentira, mas eu não posso ser grata. Como disse, tudo que sinto é ódio. Mas isso também é compreensível, todos sabem que ninguém gosta de ver a verdade de sua própria vida e é um ato cruel forçar alguém a vê-la. Então meu ódio é justificável, aceitável. Então, não julgues, não tens direito. Ninguém tem.
Enfim, tudo vai se acertar, porque vou mudar não só minha vida nesse ano que vem vindo. Vou mudar meu modo de lembrar de ti. Vou esquecer a tua face, vou esquecer a tua voz, vou esquecer o teu talento. Vou parar de reconhecer teus gestos em mãos estranhas e tuas feições em rostos diferentes. Vou mudar a mim. Eu não mais existirei.
Aí, quem sabe, de repente, já se possa dizer que não existe mais esse "eu" que tanto te venera, que tanto pensa em ti e que tanto sente a tua falta. Aí, eu poderei dizer que sou uma nova mulher, com novos gostos e que superou a droga da música clássica que tu tocas tão bem no teu violão chinfrim e esqueceu a maldita calma que tu exalas por todos os poros do teu corpo e que não mais sente necessidade tamanha de ser próxima de ti que para dar vazão a essa até utiliza o português de modo incomum e aceita a regra que diz que a segunda pessoa do singular é para tratamento pessoal, íntimo.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Antes de ir
Eu queria que soubesses que eu adoro o jeito como sorris e o modo como sempre sabes o que queres, apesar de não sorrires para mim e de insistires em dizer que não me queres.
Odeio essa vontade idiota que me dá de correr pros teus braços toda vez que te vejo e a nítida sensação que tenho de que, mesmo dizendo que sentes falta de falar comigo, não queres ser meu amigo e não de que faz a menor diferença no teu dia a minha presença nele ou não.
Odeio saber que nunca mais ouvirei a música que fizeste para mim e que a partir deste ano, cujo fim se aproxima numa velocidade assustadora, não verei mais o teu rosto novamente. E o arrependimento de não ter tirado uma foto contigo antes que pudesses ter terminado comigo é tanto que nem sei dizer.
Mas nunca, nunca, vou deixar de querer-te ao meu lado, nem de sentir tua falta ou de sonhar contigo todas as noites como tenho feito desde que fostes embora.
Sinto tua falta mais do que qualquer outra coisa ou pessoa em quem possas pensar. Inclusive minha mãe.
Essa sou eu tentando superar a nossa história, por favor não julgue.
Odeio essa vontade idiota que me dá de correr pros teus braços toda vez que te vejo e a nítida sensação que tenho de que, mesmo dizendo que sentes falta de falar comigo, não queres ser meu amigo e não de que faz a menor diferença no teu dia a minha presença nele ou não.
Odeio saber que nunca mais ouvirei a música que fizeste para mim e que a partir deste ano, cujo fim se aproxima numa velocidade assustadora, não verei mais o teu rosto novamente. E o arrependimento de não ter tirado uma foto contigo antes que pudesses ter terminado comigo é tanto que nem sei dizer.
Mas nunca, nunca, vou deixar de querer-te ao meu lado, nem de sentir tua falta ou de sonhar contigo todas as noites como tenho feito desde que fostes embora.
Sinto tua falta mais do que qualquer outra coisa ou pessoa em quem possas pensar. Inclusive minha mãe.
Essa sou eu tentando superar a nossa história, por favor não julgue.
Uma alegria para sempre
"As coisas que não conseguem ser
olvidadas continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre onde as
datas não datam. Só no mundo do nunca
existem lápides... Que importa se –
depois de tudo – tenha "ela" partido,
casado, mudado, sumido, esquecido,
enganado, ou que quer que te haja
feito, em suma? Tiveste uma parte da
sua vida que foi só tua e, esta, ela
jamais a poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte da tua vida presente
e não do teu passado. E abrem-se no teu
sorriso mesmo quando, deslembrado deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto
deves à ingrata criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
disse, há cento e muitos anos, um poeta
inglês que não conseguiu morrer."
Mario Quintana
olvidadas continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre onde as
datas não datam. Só no mundo do nunca
existem lápides... Que importa se –
depois de tudo – tenha "ela" partido,
casado, mudado, sumido, esquecido,
enganado, ou que quer que te haja
feito, em suma? Tiveste uma parte da
sua vida que foi só tua e, esta, ela
jamais a poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte da tua vida presente
e não do teu passado. E abrem-se no teu
sorriso mesmo quando, deslembrado deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto
deves à ingrata criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
disse, há cento e muitos anos, um poeta
inglês que não conseguiu morrer."
Mario Quintana
Assinar:
Postagens (Atom)