domingo, 26 de setembro de 2010

As-tu déjà aimé moi?

Quando eu tinha quatro anos minha mãe morreu. Eu não sabia o que era morte. Num momento único minha irmã me disse que morrer é tornar-se estrela e não voltar à Terra nunca mais, viver para sempre no céu, olhando as pessoas e cuidando delas.

Depois desse dia eu comecei a olhar para a Lua todos os dias antes de ir dormir. Eu não sabia qual estrela era minha mãe, então pedia à Lua que lhe desejasse boa noite por mim e dissesse que eu a amo. Não era como ter minha mãe de volta, mas dava-me um pouco de conforto, como se ela estivesse mais perto.

Quatorze anos depois, é um hábito que eu mantenho e que sempre me alivia um pouco das tensões e preocupações. Até hoje. Mas agora, depois de passar esse tempo com você e de ouvir todas as suas conversas sobre corpos celestes, eu olhei pra Lua, pretendendo pedir-lhe que levasse meu recado, mas, pela primeira vez, ela falou comigo antes que eu pudesse pedir, e ela não falou da minha mãe, como eu sempre desejei, ela só fez lembrar-me de você.

Agora eu me sinto longe até da minha mãe por sua causa e fico aqui me perguntando por que eu me torturo assim. Não vale a pena parar de mandar meus recados para minha mãe só porque a Lua insiste em falar sobre você. E tudo que eu queria saber é se alguma vez você me amou, ou pelo menos gostou um pouco, mesmo que por um segundo. Não quero perder minha mãe de novo - agora que sei o que é morte - por causa de momentos em que fui um brinquedo.

Eu lhe emploro, devolva-me o direito de falar com a minha mãe.

sábado, 25 de setembro de 2010

Sem nome

Eu juro que queria não ter essa atração tão completa por você. Eu não quero. Mas é que tudo que há em mim quer desesperadamente querer você. Não é culpa sua, eu sei. Ou talvez até seja, por ter-se mostrado tão perfeito pra mim, mas eu lhe quero tanto tanto que não sou capaz de acusar-lhe de nada. A culpa é minha, que faço meus olhos enfeitarem tudo que veêm. A culpa é minha que sou capaz de ver beleza em cada pequena coisa que você diz, até nas mais ásperas, que doem nos ouvidos - e eu juro que sou capaz, se até nesse seu jeito distraído eu vejo graça, esse seu jeito que não lhe deixa ver que eu lhe quero.

Na verdade, acho que eu não deveria enfatizar tanto esse querer profundo que venho nutrindo incessantemente por você, já que não sei nem que nome dou a ele, apesar de ter uma certeza absurda de que é real. Digo que é absurda essa certeza pois ela não deveria nem mesmo existir, já que nunca sequer lhe toquei um toque que alguém que fosse mais que uma simples amiga tocaria - o que eu acho que é até bom, uma vez que tudo que eu toco vira lembrança, e ai de mim se; além da memória do seu sorriso, do seu cheiro, do seu cabelo, de você na chuva; tivesse que conviver pacificamente também com a lembrança da sua pele nos meus dedos.

Mas, por absurda que seja, há a menos essa certeza que me afirma categoricamente que eu lhe quero. E mesmo que esse querer não tenha nome, ele existe e isso me basta.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Menos um

Não sei porquê, mas agora toda noite eu conto menos um. Menos um dia. Pra quê? Não sei. Só sei que cada dia que se vai é um alívio quase imperceptível e cada dia que chega é uma nova tortura.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Dois dias

Há dois dias atrás eu previ a queda, a ruína, a lágrima. Hoje, tudo aconteceu de repente, em cinco minutos, tudo acabou. Agora o que me resta são lembranças esparsas,, vagas e pouco nítidas. As memórias fortes, essas são poucas, tanto que podem ser destribuídas em apenas três grupos de dois.

Dois dias: o primeiro beijo, que, pra mim, nada quis dizer (04/6/2010) e a música que fizeste pra mim, que, pra ti, nada quis dizer, mas, pra mim, significou o mundo (27/8/2010).

Dois dias: o texto que te dei, pra mostrar que a música significou tudo (01/9/2010) e o terceiro dia após isso, que foi o dia no qual completamos 3 meses juntos, separados, o qual, tenho certeza nem ao menos lembraste (04/9/2010).

Dois dias: o dia em que voltaste da tua viagem e eu, feliz, queria ver-te, mas tu te mantiveste ocupado (13/9/2010) e hoje, que, sem escrúpulo algum, deixas-me só, somente porque gosto de ti (15/9/2010).

Além disso, só teus sorrisos - falsos - e tuas carícias - dirigidas em pensamento a sabe-se-lá-quem - e teus abraços - folgados - e tuas brincadeiras - malíciosas - e essa dor que me corrói a carne. E é assim, nessa sensação de mágoa eterna, que me despeço do teu último dia na minha vida: o dia dos nossos 101 dias que nunca se tornarão 102.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Nada além de uma mágoa

Dói tanto que não posso explicar. Como pode doer tanto algo que já passou? Como pode doer tanto algo que não houve? Como pode doer tanto algo que houve? Como? Por que isso causa lágrimas? Nunca pensei que diria isso, mas agora eu não te abraçaria se estivesses aqui. Agora eu não te beijaria. Não sei se me acalmaria com a tua presença ou se meu desespero iria aumentar. Queria que estivesses aqui, mas pra me dar as respostas das quais preciso.

Até este momento eu não havia pensando nesses quilômetros que nos separam como algo que me impedissem de tocar-te, mas agora não consigo mais recompor a textura da tua pele só com o pensamento como há algumas horas atrás. Diga-me, por que existe ciúme numa coisa tão velha e tão simples e tão incoerente e tão impossível?

Não, é só uma mágoa. Só uma feridantiga. Só mais uma paranóia minha. Tem que ser. Queria você aqui p'ra dizer-me que é bobagem. Por alguma razão, que não consigo fazer-me acreditar que não é real. Por alguma razão, acho que conseguiria acreditar em ti. Por que acreditar mais em ti que em mim mesma? De qualquer forma, por que isso mudaria alguma coisa? É bobo.

Ainda não consigo esquecer o tom de felicidade que havia na tua voz quando era p'ra ela que você falava. Tanto tempo e isso veio perseguir-me hoje. Logo hoje que deveria ser um dia feliz com meus amigos. Droga de amigos fofoqueiros. Mas eu os amo. Ainda não consigo lembrar de algum dia no qual tua voz fosse tão feliz quando a conversa era entre nós.

Porra, por que tua voz era tão feliz p'raquela vadia? Ela te traiu, fez-te de idiota, brincou contigo, mas a merda da tua voz é mais feliz p'ra ela do que p'ra mim, que sou incapaz de fazer qualquer coisa que, mesmo em sonho, magoe você. E essa merda da minha insegurança. Que saco gostar tanto de estar contigo. Que saco gostar tanto de ti. Que saco ter tanto medo de perder-te. Que saco não te ter aqui p'ra dizer-me que não te perderei. Que saco que tu nunca dirás que não vou perder-te porque tu não me gostas.

Meu amigo está certo, que relação é essa de não-gostar?

Minha amiga está certa, que relação é essa de gostar-não-recíproco?

Por um segundo, eu te odeio. Mas não posso odiar-te por muito mais tempo, nem sabes o que está acontecendo comigo agora, estás em outro país. É um erro. É um erro, eu sei, é um erro. Tudo isso é um erro. O ciúme, a raiva. Talvez até a relação. Mas eu sempre erro nessas coisas, não sei escolher.

Uma vontade louca de gritar todos os palavrões do mundo. De fumar todos os cigarros que eu conseguir. De ouvir músicas que só pioram tudo. De ser o eu que eu não gosto. De me afundar mais na depressão que já me acompanha há anos. De dizer que preciso de ti. De conseguir não precisar. Pelo menos ainda posso escrever. E p'ra isso não há limite imposto: as palavras me vêm à mente infinitas.

Que vontade de perguntar e que medo de ouvir a resposta. O que há afinal? O que é real e o que não é? Nós somos? Acho que sim, ou não doeria tanto, infelizmente, acho que não p'ra ti, mas apenas pra mim. Para ti, o que somos, afinal?

Por favor, se for uma resposta ruim, não tenha medo de dizê-la: vai ser só mais uma mágoa.